Gestos de Tolerância

Estou lendo um livro, entitulado Gestos de Equilíbrio, do mestre tibetano radicado nos Estado Unidos Tarthang Tulku, que, como o próprio nome já nos alude, indica como se comportar diante de situações adversas. Se eu pudesse fazer um desejo seria de que toda criança no mundo lesse esse livro - tenho certeza que funcionaria muito melhor do que o famigerado "paz mundial" entoado por Miss Fulana em qualquer esquina de bairro. Não é de hoje que o pseudo-budismo parece responder a todas as questões que assolam nosso mundo mergulhado em intolerância e ignorância. Se todos soubessem que a verdadeira paz se encontra dentro de nós, não haveria guerras por (e a conta começa) petróleo, água, minérios, terras, lugares sagrados, etc e tal. Não haveria porque um ser humano subjugar outro de sua espécie à desgraça, ao sofrimento, mesmo indiretamente, pois todos seríamos iguais e nos importaríamos com o bem-estar alheio. Enfim, utopias à parte, fato é que se os monges budistas tivessem se aventurado pelos arredores do oriente-médio há sei-lá-quantos anos, hoje viveríamos num mundo melhor.
A terra santa não mais significa virtudes e sim traumas profundos na alma de nossa existência. Errados os israelenses contemporâneos, que continuam numa tentativa disfarçada de cometer genocídio contra os palestinos - cá entre nós, ansiado pela maioria estúpida da sociedade ocidental. Errados os palestinos que utilizam-se dos meios mais sujos para alcançar um objetivo inalcançável (os israelenses tem o "mundo rico" às suas costas) e acabam causando mais sofrimento ainda. Infelizmente, o mundo se guia com os olhos de um certo Tio Sam, e, quer queiramos, quer não, nos acostumamos a pensar: "CRISTÃO/JUDEU BOM - OUTROS MAAAAAAAL!" e esse é o ponto central do argumento.
Porque iríamos querer ser iguais? Porque não podemos conviver com as diferenças, aprendendo mutuamente, respeitando uns aos outros? Não. Não há espaço para isso. Não hoje, em que um cessar fogo de Israel pode significar a morte de milhares de judeus em seu próprio território no mesmo dia. Não há tolerância. E parafraseando Leonardo Sakamoto, "e a paz vai ficando mais distante". Mas não termino assim, prefiro uma mensagem de esperança. Lembrem-se dos velhos monges budistas, lembrem-se de que a paz está a um palmo de distância, como minha mãe sempre disse: quando um não quer, dois não brigam.